Comentário Luiz Carlos Prates sobre a Capoeira

5 de junho de 2016 Berim Brasil

Fiz minha parte nesse comentário infeliz do jornalista psicólogo e mal informado sr Luiz Carlos Prates.Somente hoje assisti o comentário do sr. Luiz Carlos Prates em “Batendo tambor”, exibida pelo SBT no dia 04/04/2012 veja video abaixo.
É de se lamentar que um repórter, ou melhor, psicólogo esteja tão mal informado sobre a forma como a capoeira é utilizada nas universidades, escolas, pré-escolas e projetos sociais nos mais diversos ambientes sociais, inclusive favelas.
Claro que seria muito melhor se toda população tivesse acesso à escola em período integral, a modalidades esportivas como natação, tênis, atletismo ou outras modalidade que estudantes das classes médias e altas praticam.
Que tivesse acesso aos livros, ao estudo de outras línguas, à saúde e ao saneamento básico.
Esse ideal é obrigação de toda sociedade organizada, mas infelizmente vivemos em um país que possuía escravos até a última década do século 19 – ontem, portanto.Vivemos em um país onde a grande mídia manipula informações para beneficiar grupos, empresas e interesses particulares.

Somos conduzidos por políticos criminosos que tiram dinheiro da boca de crianças e idosos e mandam para ‘depósito luiz-carlos-prates-1de dinheiro sujo’, belo eufemismo para depósito de produtos de furto.Vivemos em um país onde a informação é distorcida pelo despreparo, falta de bom senso, de respeito pela cultura nacional e preconceito, como a pérola “Batendo tambor.”
Entendo sua crítica e concordo em parte com ela. Também gostaria de viver em um país onde a educação fosse prioridade de todas as pessoas – afinal, são elas que fazem os governos -, mas não posso aceitar que o sr. Luiz Carlos Prates desqualifique a capoeira para tanto.
Há muito tempo a capoeira tem suprido uma lacuna deixada pelo poder público nas comunidades pobres do país. Projetos sociais levados por muitos professores na raça, sem muito apoio e quase nenhuma visibilidade conseguem fazer milagres, como ajudar a criança na escola, integrar as famílias e diminuir a sensação de abandono.Este esporte nacional que nasceu nas senzalas como luta dos escravos contra o cativeiro é hoje utilizada como agente transformador da autoestima, de reabilitação psicomotora e de combate à violência nas mais diversas áreas da nossa sociedade. Um esporte que nasceu aqui no Brasil e está presente no mundo todo. Enquanto vivermos em um país onde as pessoas jogam lixo nas ruas, furam os sinais e morrem de dengue, é sim, muito melhor, que as crianças “batam tambores.”Atualize-se, sr. Luiz Carlos Prates. E apareça em uma roda. A capoeira não tem preconceito porque sabe que o mundo dá voltas. Iê, camará!

luiz-carlos-prates-2Luiz Silva – Mestre Narizinho do Grupo Muzenza de Capoeira.
Maringá – Paraná

, ,

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *