Garrincha, o diabo de pernas tortas, em ação: o único lateral marcá-lo foi Jordan do Flamengo exímio praticante de Capoeira. Um dos argumentos utilizados pêlos pesquisadores que defende a origem brasileira da Capoeira é o fato de que este jogo – ou luta – não chegou aos Estados Unidos, mesmo que para lá tenham sido levados negros da África, como aconteceu pôr aqui.”Se a Capoeira nasceu no continente africano, porque só vingou na América do Sul?”, perguntam eles. De qualquer modo, a identidade entre a cultura negra das Américas do Norte e do Sul pemitiu a alguns estudiosos estabelecer semelhanças entre manifestações como, por exemplo, o jezz e a capoeira. André Luiz Lacê, ex-assessor da Confederação Brasileira de Pugilismo, cita pontos de identidade, como a própria origem, oestímulo (a bateria com livre improvisação de melodias no jazz e

o berimbau com livre improvisação de golpes na capoeira e as correntes derivadas (no jazz, o swing, dixieland, bebop e street paredes – na Capoeira, toques de Angola, São Bento Pequeno, Luna, Banguela, etc.). Também o futebol, esporte nacional brasileiro, possui semelhanças com a Capoeira. João Lyra Filho, ex-presidente do Conselho Nacional de Desportos, no livro Introdução à Sociologia dos Desportos, admite ser a Capoeira “a precursora do futebol tal como é jogado no Brasil, entre malabarismos e tessituras que parecem peculiares aos mulatos”. Diz ele que, “no jogo de futebol dos mulatos, como antes, no jogo da Capoeira, há muito luxo de simulação e ludibrio. A catimba sela a intimidade com o futebol”. Mas não é só: no futebol, os jogadores se benzem antes de entrar em campo, na Capoeira, a bênção é no pé do berimbau. Os caxinguelês eram meninos de 1 O a 1 2 anos que iam na frente das maltas, provocando os adversários; no futebol; são os mascotes que adentram o campo com os times. Todos os capoeiras tinham apelidos, bem como os jogadores de futebol. As gírias e nomes curiosos de golpes de Capoeira foram para o futebol, como o drible (finta), a cama-de-gato, a rasteira, etc. Enfim, as manhas e o fetichismo da Capoeira foram transplantados para o futebol.

Berimbau de Beiço é conhecido também como Marimbau, instrumento de pequeno porte que o escravo usava preso aos dentes, tendo a própria boca como caixa de ressonância. Hoje, é instrumento raríssimo, encontrado apenas em alguns museus.

O Berimbau de boca era usado na êpoca da colonização. De alguns anos para cá caiu em desuso.

O Berimbau de boca era usado na êpoca da colonização. De alguns anos para cá caiu em desuso.

Em uso: a Caixa de ressonância é a boca. A percussão é feita com o polegar.

 

 

 

 

 

 

 

 

  • A palavra “ Capoeira” vem do tupi e significa mato ralo. O termo começou a ganhar outro sentido, provavelmente, na época dos quilombos, quando os negros fugiam e se escondiam nas capoeiras.
  • Sampaio Ferraz foi o autor da Lei n° 487, promulgada em 11 de outubro de 1890, que proibia a prática da Capoeira. Punição: 2 a 6 meses de trabalho forçado na Ilha de Fernando de Noronha.
  • Cavalaria é o nome do toque de Berimbau criado por Mestre Bimba que imita o trotar dos cavalos. Objetivo: avisar aos capoeiristas que policiais estavam por perto.
  • Em 1936, Bimba foi campeão invicto. O mestre conta:” (…) sagrei-me campeão invicto e a luta que demorou mais, durou 1 (hum) minuto e meio. Lutei naquela ocasião com lutadores do quilate de Vitor Benedito, Henrique Bahia e Zei. Este torneio Jamais esquecerei”.
  • Burumbumba é o nome pelo qual o nosso berimbau é conhecido em Cuba. Na terra de Fidel Castro, ele é usado em rituais de adivinhação, nos quais se invocam espíritos.
  • O atabaque, instrumento muito usado na poética medieval e preferido dos reis, foi muito difundido na África, mas, segundo o historiador Waldeloir do Rego, chegou ao Brasil por mãos portuguesas.
  • Popó é o nome do responsável pelo renascimento do maculelê. Em 1944, ele reuniu os filhos, parentes e amigos para ensinar a dança e a luta que ele aprendera com os negros Malés.
  • “Ê, maior é Deus / pequeno sou eu / o que eu tenho / foi Deus que me deu / na roda da Capoeira / grande pequeno sou eu”. A autoria do poema é de Vicente pastinha, mestre de muitas artes.
  • 1961: a prática da Capoeira foi introduzida no currículo de ensino da policia Militar do Estado da Guanabara. 1972: o conselho Nacional dos Desportos reconhece a Capoeira como esporte nacional.
  • Medo
    Depois da libertação dos escravos , a capoeira passou a ser uma das grandes preocupações da elite do século passado. È que muitos capoeiristas assaltavam
    pra sobreviver e usavam sua agilidade para se vingar dos anos de sofrimento
    das senzalas.
  • Prisão
    A partir de 1890, época em que a prática da capoeira era considerada ilegal,
    quem fosse pego jogando era condenado a cumprir de 2 a 6 meses de prisão
    na Ilha de Fernando de Noronha, exercendo trabalhos forçados.
  • Reconhecimento
    “A capoeira é a única colaboração autenticamente brasileira á educação física, devendo ser considerada a nossa luta nacional.” (Getúlio Vargas)
  • Modismos
    “Bimba (…) sentiu-se magoado quando a maioria dos presentes ao simpósio sobre a unificação da capoeira começou a falar em unificação, regras e outros modismos. A Capoeira Regional que ele criou e à qual deu força não podia desaparecer assim, por causa de uma pretensa evolução”. ( M Itapoan)
  • Samba de Roda
    O samba de Roda é uma das variações do batuque da Angola. Tradicionalmente, um dançarino entra na roda sozinho, faz sua exibição e, depois, dá uma umbigada naquele que o substituirá. O cancioneiro do samba de roda tem sido fonte de inesgotável inspiração a outros cancioneiros.
  • Cinema
    Entre os filmes interessantes que retratam a capoeira, destaca-se o curta-metragem Vadiação (1954),de Alexandre Robatto Filho. O tempo de projeção é de 8 minutos e tem a colaboração de Carybé, dos cantores de mestre Bimba e dos jogadores de M Valdemar. Vadiação não tem narrador. A cena mostram a evolução dos capoeiristas em movimento, com várias pessoas assistindo. Alexandre Robatto Filho é pioneiro do cinema baiano. Nasceu na praia de Cantagalo, Freguesia dos Mares, Salvador, em 1908.
    “Eu queria que meu trabalho chegasse até os estudiosos e que meus filmes não morressem em gavetas”.
  • Pastinha
    “Mestre Pastinha (…) é um dos grandes da Bahia (…) è o primeiro em sua arte; senhor da agilidade e da coragem, da lealdade e da convivência fraternal (…) Toda vez que eu assisto e a esse homem de oitenta e cinco anos, cego e hemiplégico, jogar capoeira, dançar samba, exibir sua arte como Ela de um adolescente, sinto toda a invencível força do povo da Bahia, sobrevivendo e construindo apesar da penúria infinita, da miséria, do abandono”. (Jorge Amado, Bahia de todos os Santos, pg. 253).

  • O caxixi, além de marcar presença nas rodas de capoeira, é também utilizado pelos pais dos candomblés e Angola para acompanhar certos cântigos.
  • O rapa é um jogo semelhante à capoeira, praticado nos quartéis, morros e terreiros onde um indivíduo no centro de uma sala, com outros ao redor, ginga e subitamente aplica uma banda ou uma rasteira em um dos participantes.

    Urucungo significa berimbau em angolês.

  • Quebra-bunda é uma variação da capoeira, parecida com a quadrilha rural, mas sem a participação de mulheres.

  • A luta de Bimba que demorou mais tempo durou um minuto e dois segundos.

  • No dia comemorativo de Espírito Santo os capoeiristas do Macapá, Amapá, dirigem-se à igreja munidos de instrumentos. No caminho, pedem dinheiro “murta” para a realização da festa. Chegando à igreja benzem-se e fazem uma roda de capoeira. A essa manifestação é dado o nome de Marabacho.

  • A orquestra do samba de roda é composta por pandeiro, violão, chocalho e prato de cozinha arranhado por uma faca.

    Antigamente, era costume os capoeiristas trajarem terno de linho branco. Era considerado bem jogador aquele que conseguisse sair da roda com o terno impecavelmente limpo.

  • Em 1908, quando D. João VI chegou ao Brasil, a capoeira serviu de instrumento nas mãos dos políticos.

    Os capoeiristas eram contratados pelos políticos para bagunçar no dia das eleições. Enquanto as pessoas desviavam a atenção para a confusão dos capoeiras um indivíduo colocava um maço de chapas na urna ou na linguagem da época “emprenhava a urna”. Vencia as eleições o candidato que dispunha de maior número de capoeiras.

  • Até o século XIX os “batuques” de negros eram estimulados por serem válvulas de escape e acentuarem as diferenças entre as diversas nações africanas. A partir de 1814, começaram a ser perseguidos – “brincadeira de negro” torna-se fato social perigoso de acordo com textos legais.

  • O frevo é uma mistura de capoeira de Angola e dança Russa.

  • Bate-baú é o nome dado a uma espécie de samba, originário da Bahia, onde os dançarinos ritmadamente davam umbigadas unindo os baixos ventres. O busto inclinado para trás e as pernas arqueadas produzia um ruído igual ou de uma caixa de madeira que se fecha.

  • Existe um conto no leste e norte da África sobre a origem do berimbau. Diz que uma menina passeando parou num rio para beber água, quando um homem veio por trás e deu-lhe uma forte pancada na nuca. Ao morrer, transformou-se num arco musical. Sou corpo converteu-se na madeira, seus membros na corda, sua cabeça na caixa de ressonância e seu espírito na música.

  • Em 1712 surge no vocabulário português e latino o termo “CAPOEIRA”.

  • Canjiquinha foi o criador da Festa de Arromba, jogada nas festas de Largo da Bahia. Nessas comemorações vários capoeiristas se reuniam e jogavam em troca de dinheiro e bebida.